28 agosto 2009

Nas Escadarias da Catedral


Naquela noite nos sentamos nas escadarias da Catedral, fazia muito frio, tava gelado mesmo. Coloquei minha blusa em seus ombros e admirava sua carinha branca se fazer quase transparente, a boca meio rocha soltando uma fumacinha quando falava. Eu me segurava para tremer menos enquanto você insistia em me devolver a blusa, mas eu rejeitava. Como eu queria aquela blusa, meu Deus...

Tudo era incrivelmente bom. Eu a olhava dormir chupando o polegar e enrolando os cabelos amarelos que só eles. Ao acordar, percebendo sua ausência na cama, sonolento eu ia à cozinha e você tava lá com aquela bundinha franzida, cara intumescida... perfumando a casa com cheiro de café. Pouco mais tarde estava você com as mãos fedendo a alho. Cara, como eu gostava daquilo...

Mas eu fiquei doente e era contagioso. Tive de me tratar e combinamos superar a situação juntos e que nada estaria findado entre nós. Então parti.
Hoje minha saúde está perfeita. Mas você não me esperou. Quebrou o trato.
Pelas redes virtuais, procurei-a incansavelmente e seus antigos amigos não sabem de você. Não mais que eu. Pouco se passou e você se tornou uma prostituta, mas insiste em ser chamada de acompanhante. Sabe, estas palavras de mil, meio não são ao que sinto. Ainda sinto aquele frio da Catedral todas as noites, ainda te amo, mas não te encontro. Quase duas décadas se passaram e você continua no meu pensar com cheiro de alho e tudo... está viva demais em mim. Suas preferências, seu jeito de respirar ao fazer amor. Você pra mim era a mulher mais bonita do mundo inteiro. A mais formosa que podia existir.

Olho essas escadas, sento, relembro. Eu não quero mais voltar aqui. Este retrato vai consumir no tempo inda que habite em minha mente, não sei do que se alimenta para tanto e bem viver. Mas eu quero partir mais uma vez, mas para bem longe do frio nas escadarias da Catedral.

Preciso Recomeçar


Essa dor cravada em meu coração
É o luto que me tira toda inspiração
Porque, por que, por quês
Reconheço, pago o erro
Eu assumo toda culpa agora
Mas me perdoa

Veja bem, falamos num amor eterno
Que um pequeno vento levou
Num sentimento que uma gota d’água
Por sua vez o afogou
Ah, que loucura, foi loucura demais

Me lembro bem, queria esquecer
O que me faz sofrer ao lembrar de você
Nenhuma chuva ou vento
Entre fúria ou revolta do tempo
Mas, não é tão simples...

Me enrolo com as palavras e com meu pensar
Pouco são por muito louco
Ter que agüentar esta angústia
E sua rejeição e uma vez eu sei que fiz a merecer
Eu preciso recomeçar

Então por que, convivo com os por quês
Da vida sem ter um porquê para sorrir
Mas levar esta tão vazia vida que
Outro dia seu sorriso com um beijo preenchia
Ah, como era tão bom

Saiba amor, que nossos planos
Nossos sonhos não serão deixados para trás
Meus sonhos são razões
Na esperança de revê-la acreditar
Em nosso amor
Sei que magoei você demais
Olha quanta dor
Quanta saudade...
você deixou em meu viver...

27 agosto 2009

Eu quero me sentar na areia da praia...


Eu quero me sentar na areia da praia, de frente às ondas
Sentir o vento frio bater em meu rosto, secar minhas lágrimas
Sentir o que está do lado de fora, o gosto das coisas
Relembrar o gosto de um beijo, o cheiro que acompanha um sorriso
Sentado ali a relembrar das coisas boas que vivi
Aproveitar a noite e contemplar as estrelas, as luzes dos navios
O barulho do quebrar das ondas, o tocar da orquestra da vida
Era tão pequenino, eu era tão sonhador... sentimental
Havia pouca luz ali, mas dava pra ver. Roupa, mas não sentia frio
Água, mas não lágrimas, mares... era suor
Eu sabia que você viria, dona morte, mas não tão cedinho assim
Deixa eu ouvir aquela música só mais uma vez
Aquela que fala que eu cuido dos pássaros, dou sustento à vida
Saro as feridas... aquela que fala que ele estará ao meu lado
Por todos os dias da minha vida até a consumação dos séculos
Deixa eu pisar só mais um pouco nesta areia ou antes fala pra eu não ter medo
Diga que não vai doer quando eu chegar do outro lado
Nem que haverá sofrimento por minha partida...